Foto: Guilherme Costa Etiene Medeiros conquistou, nesta quinta-feira, o título mundial dos 50m costas em Budapeste, na Hungria. Foi uma prova recheada de estrelas. A brasileira deixou para trás, pela ordem, a chinesa Yuanhui Fu, bronze nos 100m costas dos Jogos do Rio, a bielorussa Aliaksandra Herasimenia, que já foi ao pódio olímpico três vezes, a australiana Emily Seebohm, com cinco medalhas no currículo, e a americana Kathleen Baker, ouro no revezamento 4x100m medley e vice-campeã dos 100m costas nos Jogos do Rio. Mesmo nessa constelação, é necessário lembrar que a distância não é disputada em Jogos Olímpicos. O que, para Etiene, primeira campeã mundial da história do país, pouco importa:
- Só eu sei como eu treinei, vai ter gente que vai falar isso (da prova não ser olímpica) e tô nem aí que a prova não é olímpica, eu vou responder "eu estou feliz com a medalha, você ganhou?" Os brasileiros precisam dar valor ao que têm. Aqui é um Campeonato Mundial, e a medalha aqui nessa prova vale tanto quanto qualquer outra. Não quero mais me importar com isso - disse Etiene, ainda eufórica com a conquista.
Para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, serão 35 provas da natação em piscina. A tabela do Mundial conta com 42 disputas. A Federação Internacional de Natação (Fina) já tentou incluir algumas vezes as provas dos 50m borboleta, 50m peito e 50m costas, mas o Comitê Internacional sempre negou a entrada destas disputas.
Há dois motivos claros para a não inclusão: o primeiro deles é o aumento do número de atletas inscritos, algo que o Comitê Olímpico Internacional (COI) não quer, já que há um limite de competidores em todas as modalidades. O outro porquê é que a natação já ocupa oito dias do calendário dos Jogos, e o acréscimo de outras disputas aumentaria o já conturbado programa de toda Olimpíada. Nos Jogos do Rio, por exemplo, a piscina da natação foi usada na segunda semana para as partidas decisivas do polo aquático, o que não seria possível caso tivessem mais dias da modalidade.
- Ser competitiva contra elas e ter contato direto com elas é muito bom, é inspirador nadar com medalhistas olímpicas. Foi uma prova muito competitiva, muito forte. Estou muito feliz mesmo - disse Etiene.
Em 2008, Etiene se tornou a primeira brasileira a ir ao pódio em algum Campeonato Mundial, levando a prata nos 50m costas do Mundial Júnior. Em 2014, foi a primeira mulher medalhista (e campeã) de um Mundial em piscina curta, com o ouro nos 50m costas em Doha, no Catar. No ano seguinte, levou o primeiro ouro feminino da história do país em Jogos Pan-Americanos, com o título dos 100m costas em Toronto, no Canadá. Dias depois, foi vice-campeã dos 50m costas no Mundial de piscina longa de Kazan, Rússia, garantindo a primeira medalha feminina do país na história do evento. Ano passado, em Windsor, no Canadá, foi bicampeã mundial em piscina curta.
A pernambucana de 26 anos participou da Olimpíada do Rio nos 50m livre e foi finalista, terminando na oitava posição. Ainda nadou os 100m livre, foi para a semifinal, e os 100m costas, prova que a consagrou um ano antes com o título do Pan.
- Consegui índice em quatro provas olímpicas para o Rio, nadei uma final, nadei pelos brasileiros e quero que todos entendam isso. Aqui é o Mundial. Eu não tenho uma medalha preferida. A do Pan, do Mundial de curta, Mundial de longa e a final olímpica...Tudo é especial - disse.
A nadadora brasileira volta para a piscina no sábado, quando disputa os 50m livre, prova mais rápida da natação, que faz parte do programa olímpico. Oitava colocada na Olimpíada do Rio, pode brigar por uma nova final, mas não está entre as favoritas ao pódio.