Foto: Reprodução Muitos apostavam na americana Katie Ledecky, na húngara Katinka Hossuzú ou no britânico Adam Peaty como principal nome do Campeonato Mundial de Budapeste. Mas Caeleb Dressel surpreendeu e foi a grande estrala da competição encerrada no domingo. O americano de 20 anos, que estuda na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, conquistou sete medalhas de ouro, igualando o resultado de Michael Phelps no Mundial de 2007, na Austrália. A comemoração e o descanso, no entanto, terão de ficar para depois da próxima missão: uma prova de álgebra, marcada para esta segunda-feira.
- Tenho prova de matemática online. Eu tive que fazer isso durante a seletiva americana também. Eu não sou muito bom em matemática, mas me esforçarei para ir bem - disse o estudante.
No Mundial, Dressel conquistou os títulos nos 50m e 100m livre, 100m borboleta, e nos revezamentos 4x100m livre e 4x100m medley, tanto no masculino, como no misto. Nos 50m livre e 100m borboleta, conseguiu os melhores tempos da história sem os trajes tecnológicos. A coleção de medalhas já faz com que seja comparado a Michael Phelps, maior medalhista olímpico da história e dono de 26 títulos mundiais, sete deles em Melbourne 2007.
- Primeiro, são situações diferentes, já que agora temos revezamentos mistos, antes não tínhamos. Ainda não me coloco no grupo de pessoas como Mark Spitz e Michael Phelps, estou começando agora na natação internacional. É inevitável me compararem a eles, mas por favor não façam isso - disse, em entrevista coletiva.
Em Melbourne 2007, Phelps já tinha 22 anos e havia levado seis medalhas de ouro e dois bronzes na Olimpíada de 2004. Naquele Mundial, foram sete títulos - 200m e 400m medley, 200m livre, 100m e 200m borboleta e os revezamentos 4x100m livre e 4x200m livre. O oitavo ouro só não veio porque o revezamento 4x100m medley, favorito ao título, foi desclassificado nas eliminatórias (Phelps só nadaria a final).
Caeleb começou a ser reconhecido pelo mundo de natação em 2013, quando conquistou seis ouros no Campeonato Mundial Jr. Três anos depois, fez parte dos dois revezamentos dos Estados Unidos que foram campeões no Rio, 4x100m livre e 4x100m medley.
Conhecido pelo seu jeito "moleque", tem uma série de vídeos divertidos na internet, nos quais aparece dançando ou fazendo "gracinhas" enquanto come. Sua frase mais usada na entrevista coletiva, porém, foi uma que está na boca de Phelps desde o início da carreira
- Estou nadando só para me divertir - repetiu algumas vezes.
Caeleb tem três irmãos, todos nadadores. Tyler, o mais velho, nadou quando era mais novo, mas não seguiu carreira. Kaytiln chegou a nadar pela universidade da Flórida, mas não adiante. A irmã caçula nada na Universidade da Flórida.
A cultura nos Estados Unidos de nadar pela universidade é algo muito forte. Dressel tomou uma atitude, no mínimo, curiosa na escolha. Antes de chegar a Universidade da Flórida em agosto de 2014, com 18 anos, era nadador da Bolles em Jacksonville. O local escolhido não é conhecido pelos resultados nas provas de velocidade. Apesar disso, foi para a Flórida, o que gerou críticas de muitos jornalistas e especialistas.
- Isso gerou uma pequena confusão no início da carreira, mas ficou claro que tomei a atitude certa. Hoje estou muito feliz com o que fiz aqui no Mundial - disse.
Com 19 anos, Dressel fez uma Olimpíada boa no Rio. Abriu o revezamento americano no 4x100m livre com uma boa marca, colocando o time entre os primeiros desde o início. No 4x100m medley, foi reserva, nadou a eliminatória e ajudou a levar o time para a final. Na disputa individual, ficou em quinto lugar nos 100m livre.
Se divertindo dentro e fora da água, Dressel assumiu o posto de principal nadador não só dos Estados Unidos, como do mundo. Sete ouros em um único Mundial o coloca em um patamar elevado neste ciclo olímpico.