Foto: Reprodução Aos 21 anos, a jovem Stefannie Arissa Koyama teve que lidar nesta segunda-feira com emoções intensas e contrastantes. Primeiro, viveu a ansiedade de fazer sua primeira participação em um Mundial de Judô na cidade de Budapeste, na Hungria. Em seguida, teve o gostinho de vencer sua primeira luta no mais importante torneio do calendário internacional em 2017. Depois, experimentou o amargor de sua primeira derrota no campeonato. Dessa forma, ela, que luta na categoria -48kg, se despediu do torneio no primeiro dia nas oitavas de final. O mesmo aconteceu com o também calouro Phelipe Pelim (60kg). Eric Takabatake, na mesma categoria que o outro brasileiro, caiu logo na estreia.
- Meu primeiro Mundial, fiquei muito ansioso. Pensei: "Ah, nossa, eu tenho que ganhar, porque estou representando o Brasil, né?". Perdi, mas ganhei muita experiência boa. Agora vou torcer primeiro para Sarah (Menezes), Érika (Miranda) e Charles (Chibana), e depois para a Rafaela (Silva), né? - falou a atleta, lembrando da estreia dos três companheiros - Sarah, Érika e Charles - nesta terça-feira, a partir das 5h (de Brasília), nas categorias 52kg e 66kg, respectivamente. As finais acontecem sempre a partir das 11h (de Brasília).
Stefannie, que é chamada por todos da delegação brasileira de Arissa, tem uma história diferente. Filha de pais brasileiros, ela nasceu no Japão. Quando o Brasil foi realizar um treinamento no país em 2016, a jovem correu atrás do gestor de alto rendimento da Confederação Brasileira de Judô, Ney Wilson, pedindo uma chance de competir na seletiva nacional para tentar defender a seleção. Convidada pela CBJ, a judoca conseguiu a vaga e passou a integrar a equipe do país de seus pais. Muito simpática e querida, ela virou xodó da medalhista de ouro olímpica na Rio 2016, Rafaela Silva.
- Eu estou muito feliz de representar o Brasil. Me sinto muito feliz. Quando ouço o Hino Brasileiro, é muito emocionante. A Rafaela me ajuda bastante. No judô e fora do tatame também. Eu uso todos como referência, mas principalmente a Rafa - falou.
Rafa praticamente adotou Arissa. Em sua conta no Instagram, é possível ver muitas fotos das duas juntas. A campeã olímpica adora ensinar palavras e gírias em português para a nipo-brasileira, que não fala português fluentemente ainda e tropeça em alguns momentos. "Tamo junto" e "top" são algumas das expressões que Rafaela Silva ensinou para Stefannie, que estuda Letras no Japão.
- Eu pretendo ir morar no Brasil e ir para a Olimpíada de 2020, em Tóquio - concluiu.
Como foram as lutas do brasileiros?
Stefannie Koyama, em seu primeiro Mundial, entrou no tatame para fazer sua estreia. A primeira luta, pela categoria -48kg, foi emocionante, e ela venceu por um waza-ari no Golden Score (prorrogação). A rival foi a romena Monica Ungureanu, bronze no Campeonato Europeu do Cazaquistão em 2016. A chave da nipo-brasileira era complicada. Logo na segunda luta, ela encarou uma velha conhecida, a japonesa Funa Tonaki, que é companheira de Universidade de Teikyo, onde Arissa estuda no Japão. Dessa vez, ela levou a pior por 2 waza-aris contra um. Emocionada, ela chorou muito após deixar o tatame.