Foto: Reprodução Basta olhar para o ranking das melhores marcas de todos os tempos para entender que a Maratona de Berlim não é apenas mais uma no calendário. Palco histórico de grandes marcas, a prova reúne ingredientes que facilitam a vida dos atletas na disputa entre si e contra o relógio. Em 2017, os melhores corredores da atualidade seguem ainda o embalo do desafio da quebra da barreira das 2h. Acha que é possível? O GloboEsporte.com vai te ajudar a entender ao menos por que a capital alemã é um dos melhores cenários para esta tentativa.
Considerando-se as 10 melhores marcas de todos os tempos, seis foram alcançadas na Maratona de Berlim. Quando o recorte leva em conta os 10 atletas mais rápidos da história, sete alcançaram o ápice da carreira por lá. Nas entrevistas, eles são unânimes em afirmar que esta é a prova com a maior conjunção de aspectos positivos para a busca de recordes. São eles:
um percurso quase plano. Começa a 38m do nível do mar, tem 53m como ponto mais alto e 37m como ponto mais baixoa interferência do vento costuma ser baixa, tanto a favor quanto contrahá menos curvas do que em outras maratonas mundo aforaa temperatura local em setembro varia de 12ºC a 18ºC. Especialistas estimam que o ideal para correr rápido seja de 10ºC a 15ºCa qualidade do asfalto alivia parte do impacto para os corredores
Em 1998 um brasileiro soube aproveitar bem estes fatores e não só venceu a Maratona como tornou-se recordista mundial da distância. Na segunda das três participações que faria no evento, Ronaldo da Costa chegou com o objetivo de estabelecer o novo recorde sul-americano da prova. Foi muito além.
Na altura do km 35 foi avisado por seu então empresário de que estava correndo abaixo da projeção do recorde mundial. Apertou ainda mais o passo e garantiu a festa inédita. É até hoje o único atleta do continente americano, entre homens e mulheres, a ter vencido a prova.
- Nos últimos 5km eu estava com uma média de 2m47 por quilômetro. Fui tentando baixar ainda mais, e a uns 2km do fim eu sabia que realmente poderia bater o recorde. Falei comigo mesmo que se conseguisse segurar até o final eu ia dar uma estrela e sambar. E foi o que eu fiz. Foi uma maravilha, um dia em que nasci de novo – lembrou Ronaldo em conversa com o GloboEsporte.com.
Desde que o brasileiro completou os 42.195km em 2h06m05 o recorde mundial do masculino foi quebrado naquele mesmo cenário em outras seis oportunidades. O último a fazê-lo ainda ocupa o posto de homem mais rápido de todos os tempos: o queniano Dennis Kimetto, que completou o trajeto em 2h02m57.
Para esta edição, os favoritos são os quenianos Wilson Kipsang, líder do ranking mundial na temporada, e Eliud Kipchoge, atual campeão olímpico e vencedor do desafio Breaking2, evento organizado pela Nike no circuito de Monza, na Itália, com o objetivo de testar os limites do corpo humano em busca da quebra da barreira das 2 horas. Kipchoge cruzou a linha de chegada em 2h00m25, mas a marca não foi homologada pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF) porque o evento não respeitava diversas regras para a obtenção de recordes.
Em entrevista ao site oficial da Maratona de Berlim, Kipchoge afirmou que correrá com o intuito de quebrar o recorde mundial. Ronaldo admite que não tem acompanhado a elite tão de perto nestes últimos tempos, mas acha muito difícil que o queniano surpreenda a ponto de quebrar a barreira das 2h.
- Vejo esses corredores de Etiópia e Quênia correndo na casa de 2h03, 2h02 e vi o evento da Nike, mas acho que, por enquanto, ainda não dá para correr abaixo de 2h. Tomara que possam um dia, e a tecnologia está evoluindo. Mais para frente pode ser que seja sim possível, mas agora ainda não – avaliou o brasileiro.
A Maratona de Berlim é um dos mais grandiosos eventos de atletismo da atualidade. Se na primeira edição, em 1974, reuniu apenas 286 atletas num percurso dentro da floresta de Grunewald, atualmente o evento reúne quase 44 mil corredores de quase 140 países diferentes. O percurso foi modificado significativamente pela última vez após a queda do muro que dividia as partes oriental e ocidental da cidade. Hoje corta várias áreas turísticas, começando e terminando no Portão de Brandemburgo.
Todos os números que envolvem a organização da competição são grandiosos. Durante a prova serão disponibilizados aos atletas cerca de 240 mil litros de água e 145 mil bananas. Mas os algarismos que mais interessam aos atletas são as altas cifras das premiações. Tanto o vencedor do masculino quanto do feminino levarão para casa 40 mil euros (R$ 150 mil). Caso os campeões corram abaixo de 2h04m e 2h19m em suas respectivas provas receberão ainda um bônus generoso de 30 mil euros (mais de R$ 112 mil). Um incentivo ainda maior para manter a tradição de velocidade e de recordes da Maratona de Berlim.