Foto: Reprodução/Twitter Desde que assumiu o comando da seleção brasileira de futebol de areia, em janeiro do ano de 2016, Gilberto Costa não sabe o que é perder. Há quase dois anos, o time verde e amarelo vive um momento épico de sua história, depois de um longo período de altos e baixos e da perda de sua hegemonia. O retorno ao topo fez do país, berço da modalidade, novamente a grande potência mesmo em um universo competitivo e com outras seleções fortes, como Rússia, Portugal e Irã. Foram 10 títulos em 10 torneios, incluindo o pentacampeonato mundial invicto nas Bahamas e a Copa Intercontinental, chegando a uma invencibilidade de 47 jogos.
- Hoje, temos muitas equipes fortes no mundo, e o esporte é muito mais competitivo. Fatalmente, a derrota vai chegar. O nosso compromisso é entregar o melhor sempre. Eventualmente, podemos perder uma partida ou outra, o que faz parte do esporte. Essas invencibilidades de tantos jogos vão ser cada vez mais difíceis, porque o futebol de areia está cada vez mais competitivo. Hoje, tem de 10 a 12 seleções que podem vencer o Brasil em um jogo. Campeãs mundiais, talvez umas quatro, que têm mais estrutura, como Rússia, Irã e Portugal. Mas existem outras fortes, como Espanha, Suíça, Paraguai, Japão, Taiti, Itália.. Tem muito time bom e competitivo, com muito talento individual. Não que antes fosse fácil, mas era menos competitivo, e o Brasil tinha uma geração espetacular - analisou o treinador do Brasil.
Reconhecimento por um trablaho árduo
Na última semana, em uma cerimônia de gala que premiou os destaques desta temporada em Dubai, nos Emirados Árabes, Gilberto Costa foi eleito o melhor técnico do mundo, mas fez questão de dividir os méritos com a equipe. Ele elogiou a geração de "jogadores fantásticos", que soube unir os seus talentos individuais em prol do trabalho em equipe. O planejamento também fez a diferença por trás dos resultados, com mais jogos, treinos e tempo de preparação.
Antes de comandar a amarelinha, o treinador também fez um bom trabalho nos principais clubes do mundo. Ganhou duas Copas do Brasil, pelo Flamengo e Botafogo, e três Mundialitos de Clubes com Vasco, Corinthians e Barcelona.
- Ninguém discute que individualmente nós sempre tivemos uma grande equipe. Temos jogadores muito talentosos. Faltava transformar esses talentos individuais em uma equipe, este era um ponto. E a seleção brasileira também foi influenciada por questões políticas de Federação, de brigas de Federação, que também se solucionaram no final de 2015, o que me dá mais tranquilidade para trabalhar. Partimos para o planejamento, que é muito importante. Se você não se organizar, por mais que você tenha um grande time, você vai sucumbir. A CBSB me ouviu e conseguimos fazer um bom planejamento visando a seleção, com mais campos de treinamento, voltamos a fazer mais jogos durante o ano e estamos com uma média de 23 por ano. Passamos a enfrentar os nossos principais adversários mais vezes, jogamos antes da Copa do Mundo com Rússia, Portugal, Taiti e Irã... Tivemos tempo para trabalhar e condições para realizar o processo - explicou Gilberto.
Retorno ao topo
A maior conquista veio em maio deste ano na Copa do Mundo em Nassau, nas Bahamas. Na final, a seleção derrotou o Taiti com uma goleada por 6 a 0, com gols de Mauricinho (2), Daniel (2), Catarino e Datinha. Este foi o 100º título da amarelinha na história e o 14º em um Mundial, considerando os que tiveram a chancela da FIFA e do extinto Campeonato Mundial.
- É importante agradecer as pessoas que estão à nossa volta , agradecer aos diretores e a CBSB pelo suporte que eles nos deram nesses últimos dois anos, agradecer a comissão técnica, muita gente boa e capacitada do meu lado, e agradecer aos jogadores. Muitos treinadores fazem grandes trabalhos, mas vencer 47 jogos em 47 partidas, ganhar 10 competições em 10 a gente precisa de um grupo de jogadores fantásticos. E a gente chegou num patamar realmente espetacular - acrescentou o treinador.
A busca por um legado nas areias
A seleção brasileira já disputou seis finais em nove edições na história da Copa FIFA, sendo campeã invicta em 2017, 2009, 2008, 2007 e 2006 e vice em 2011. Nas areias do Caribe, o Brasil marcou 38 gols (média de 6,4) e sofreu apenas 15 gols (média de 2,5). Até hoje, foram 330 gols marcados e 154 sofridos em 51 jogos (47 vitórias e apenas quatro derrotas).
Entre os recordes do time nas Bahamas, o Brasil foi o primeiro da história a superar a marca de 50 jogos oficiais e dos 300 gols em Copa do Mundo FIFA. É também a única seleção a disputar seis finais. O goleiro Mão é o recordista de participações (oito, assim como o português Madjer), de finais (seis), jogos (46) e único cinco vezes campeão do mundo. Ao lado do Japão, o país nunca ficou fora de uma edição do Mundial (nove participações), mas viveu um longo jejum de vitórias na Copa.
Gilberto Costa espera que os resultados sirvam para deixar um legado nas areias. Ele cita a frase do ex-jogador e treinador de basquete John Wooden para ilustrar o pensamento: "Os troféus em casa não garantem as vitórias de amanhã, porque o jogo mais importante é sempre o próximo".
- Deixar um legado é a nossa principal luta. IO nosso sonho é que exista um campeonato nacional no Brasil. A gente até o momento vive de militantes, pessoas apaixonadas que fazem pelo esporte, mas nós precismos hoje de um calendário nacional, de uma competição nacional longa. Eu tenho certeza que a CBSB está trabalhando para isso, mas é a nossa grande batalha hoje. O nosso legado hoje é com esse título mundial, todas as conquistas, os nossos jogadores, que eles possam jogar no nosso país, influenciaram e inspirarem mais pessoas, tornar o nosso esporte mais profissional no Brasil. Estamos longe de ser um esporte profissional ainda.
Intercâmbio entre países e calendário irregular
Atualmente, o calendário da modalidade é irregular e formado por ligas de curta a média duração. O campeonato mais forte do mundo acontece na Rússia e dura cinco meses. É lá onde oga a base da seleção brasileira. O Irã tem uma liga de oito meses, no entanto, por ser um país fechado e com apenas um brasileiro jogando, o intercâmbio é mais complicado. A Itália e outros lugares da Europa também têm as suas competições, mas ainda precisam trilhar um longo caminho. O Brasil, aos poucos, tenta ampliar o número de torneios, contudo, ainda não abriga um campeonato longo.
Gilberto Costa tem contrato até 2019 e aposta nas trocas entre os países em busca da evolução. Ele já trabalhou como treinador na Rússia e em Minsk, capital de Belarus, ajudando a no desenvolvimento do esporte na região. Em dezembro, o compromisso é com a China. A seleção brasileira viaja para a Ásia em dezembro, onde disputará um torneio e ainda fará parte de um projeto visando o crescimento da modalidade em território chinês.