Apesar da crise, Brasil vai ao Mundial com duas chances de quebrar tabu de pódios
28/11/2017 | 10:40:07 Globoesporte.com
Foto: Reuters

Um Campeonato Mundial de Levantamento de peso, no mínimo, diferente. Assim está sendo tratada a competição que começa nesta terça-feira, em Aneheim, próximo a Los Angeles, nos Estados Unidos. Por conta de escândalos recentes de doping, nove países, entre eles China e Rússia, duas das maiores potências do mundo, não estarão na competição. Além disso, é o primeiro torneio de grande nível após o Comitê Olímpico Internacional (COI) cortar número de atletas e de medalhas da modalidade para os Jogos de Tóquio 2020. Por fim, a Coreia do Norte, que foi ao pódio quatro vezes na Rio 2016, não participará do evento por questões políticas.

Para o Brasil, uma competição que pode ser um divisor de águas. Atletas que ficaram em quinto lugar na Olimpíada do Rio, Fernando Reis e Rosane Santos, podem pular um degrau e conquistar a inédita medalha para o país. Fernando, aliás, viveu um drama enorme para viajar ao Mundial, já que a Confederação Brasileira não havia aceitado sua inscrição, e só confirmou a presença dele no dia anterior a abertura do torneio.

O torneio começa nesta terça-feira, com as categorias até 48kg (Feminino) e até 62kg (masculino), ainda sem a participação brasileira. O Brasil estreia na quinta-feira, com Rosane Santos e Letícia Laurindo. Fernando Reis compete no último dia, 5 de dezembro. O SporTV transmite ao vivo todas as finais, sempre na parte da noite no horário de Brasília.

Fernando Reis: chance de medalha 
Entre os dez melhores do mundo há pelo menos cinco anos, Fernando Reis está entre os principais candidatos ao pódio na categoria acima de 105kg. Sua vaga no Mundial foi garantida após muita (muita mesmo) confusão com a Confederação Brasileira de Levantamento de Peso. A justificativa da CBLP para a ausência de Reis na lista do Pan foi de que ele não disputou o Campeonato Brasileiro da modalidade. O esportista, no entanto, participou de um torneio em Doral, nos Estados Unidos, conquistando a marca de 412 Kg no total, 44 kg acima do índice exigido pela entidade.

Mesmo estabelecendo o recorde pan-americano do arranco (198kg) no torneio classificatório, a presença de Fernando entre os convocados pela seleção brasileira era uma incógnita, devido o imbróglio envolvendo o seu nome e a Confederação. Em Doral, o atleta ainda somou 230kg no arremesso, somando um total de 428kg, 35kg a mais que o campeão da categoria, o americano Caine Wilkes (393 kg), e 50kg a mais que o brasileiro inscrito pela CBPL, Mateus Gregório, que foi bronze (378kg). Fernando sequer apareceu na lista final, já que competiu como "extra", sem poder figurar na disputa oficial e somar pontos para o Brasil. O recorde, no entanto, foi computado.

- Ficamos sabendo (da convocação) quando houve o congresso final que o nome realmente estava oficialmente incluído. Estou aqui em Anaheim desde domingo, mas eu competiria de qualquer forma, seja como convidado ou de maneira oficial. Eu fico muito feliz de representar o país, mas não tenho nada a declarar quanto à Confederação até porque tudo está sendo custeado (estadia e alimentação) pelo Clube Pinheiros e por conta própria. Estou no time, mas não estou no time. Mas, de maneira oficial, estarei representando o país e vamos para a frente - disse Fernando Reis.

Problema resolvido, as chances de pódio são boas. Segundo o próprio atleta, o objetivo é chegar próximo dos 450kg levantados o que, muito provavelmente, lhe dará uma medalha no evento, em que ficou em sétimo lugar em 2014 e nono no ano de 2015.

Os favoritos são Lasha Talakhadze, da Georgia, que já levantou 467kg esse ano, e o iraniano Behdad Salimikordasiabi. Correndo por fora estão o próprio Fernando, outro iraniano, Saeid Alihosseini e o uzbeque Rustam Djangabaev.

Importante lembrar que, no Campeonato Mundial, cada categoria dá três medalhas: no arranco, em que o atleta faz o movimento de levantar o peso de uma vez só, no arremesso, feito em dois tempos, e o somatório geral. Fernando é mais forte no arranco e tem a quarta melhor marca do ano nesta categoria.

Rosane Santos também na briga

Quinta colocada na Olimpíada do Rio na categoria até 53kg, Rosane está em sétimo do ranking mundial, mas aparece como a quinta melhor na lista de partida do Mundial. A atleta se destaca mais no arranco, em que pode trazer a inédita medalha. No total, precisará melhorar seu resultdo em, pelo menos, cinco quilos.

Nesta temporada, Rosane tem um total de 194kg levantados, 88kg no arranco e 106 no arremesso. A favorita em sua categoria é Hidilyn Diaz, que tem 206kg no total.

Nove países banidos

O Conselho Executivo da Federação Internacional de Levantamento de peso (IWF) decidiu, por unanimidade, que as Federações com três ou mais violações de doping nas reanálises feitas dos Jogos de 2008 e 2012 serão suspensas por um ano. Os países identificados são: Armênia, Azerbaijão, Belarus, China, Moldávia, Cazaquistão, Rússia, Turquia e Ucrânia. Para se ter uma ideia do quanto isso impactará no torneio, na Olimpíada, essas nações somadas levaram 19 medalha.

 

Coreia do Norte ausente

Em uma crise diplomática que beira uma guerra entre Estados Unidos, sede do Mundial, e Coreia do Norte, grande potência do levantamento de peso, o país asiático não mandou nenhum atleta para a competição. Nos Jogos Olímpicos do Rio, por exemplo, o país levou uma medalha de ouro e três de prata.

Crise olímpica
O Comitê Olímpico Internacional (COI) divulgou, há alguns meses, o novo programa para os Jogos de 2020 em todas as modalidades. Enquanto diversas modalidades ganharam espaço e tiveram o aumento no número de provas, como natação, atletismo, basquete, ciclismo entre outros, o levantamento de peso perdeu espaço. Se na Rio 2016 foram disputadas quinze categorias, oito masculinas e sete femininas, em Tóquio 2020 serão apenas 14 disputas. Além disso, o número de atletas classificados despencou de 260 para 196.

O descrédito do levantamento de peso é muito em função da enormidade do número de casos de doping nos últimos anos.

Outros brasileiros
Além de Fernando e Rosane, o Brasil terá mais quatro atletas na competição: No feminino, o Brasil terá Letícia Cristina Laurindo Moraes na categoria dos 53Kg, a mesma de Rosane. No masculino, Welisson Rosa da Silva e Josué Lucas Ferreira da Silva são os representantes nos 85Kg, e Marco Túlio Gregório Machado disputa nos 94Kg. No total, a competição conta com 328 atletas de 68 países.

 

 

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