Galvão Bueno lamenta barbárie no Maracanã: isso me entristece demais
19/12/2017 | 13:26:23 SporTV.com
Foto: Reprodução / SporTV

Bem, Amigos! desta segunda-feira começou com um desabafo do apresentador Galvão Bueno, inconformado com os fatos ocorridos no Maracanã na última quarta-feira, quando uma verdadeira “barbárie” aconteceu antes, durante e depois da final da Copa Sul-Americana, vencida pelo Independiente diante do Flamengo. Galvão lamentou ter que falar sobre toda a confusão em detrimento da partida em campo e da final do Mundial de Clubes, entre Grêmio e Real Madrid.

- Confesso que me sinto pouco à vontade na abertura desse programa de hoje. Claro que sonhávamos, e todos os parceiros e convidados que aqui estão, estar hoje aqui comemorando um título do Flamengo na Sul-Americana e comemorando o bicampeonato do Grêmio no Mundial de Clubes (...). Mas isso é futebol, é um esporte, e as coisas assim acontecem. O Flamengo chegou a sair na frente, levou a virada, e teve um lance no último minuto de virar o jogo. O time do Grêmio chutou apenas uma bola no gol, aquela falta cobrada pelo Edílson, mas enfrentou uma seleção mundial, talvez o melhor time do mundo. Mas insisto, isso é esporte. No futebol temos três possibilidades, você vai vencer, perder ou empatar. O programa de final de ano, em que queríamos ter grande comemoração no futebol brasileiro, para mim e para todos os companheiros aqui é um programa que dói, que machuca pelas coisas que andaram acontecendo. Pela barbárie, pela violência, pelo que o Fantástico mostrou ontem e as imagens que a gente já vinha vendo antes, durante e depois do jogo do Flamengo com o Independiente. E não é o jogo específico. Quantas cenas vêm se repetindo antes de jogo, quantos torcedores já perderam a vida, quanta violência têm acontecido depois, quanta covardia acontece? (...) Para quem ama o esporte e o futebol, isso me entristece demais. Não estou lendo nada não, não é um editorial escrito por ninguém. Estou falando do coração.

Galvão Bueno criticou a conduta de torcedores lembrando exemplos ruins vindo de políticos e dirigentes esportivos. Ele citou principalmente nomes que comandam o futebol e o esporte tanto no país como no continente para reforçar o mal exemplo.

- É claro que ali tem lideranças que são vândalos, que não são torcedores de futebol e estão vestidos com a camisa de um clube, mas era muito gente. E porque esse comportamento tão violento? Porque esse ódio tão latente? Porque esse confronto de levar à morte, ou de tentar a morte? Porque esse absurdo de se assaltar alguém que foi atropelado e está caído precisando de ajuda? Porque roubar bebida do bar de um e as fichas de bar de outro? São sócio torcedores que levam filhos, pais e mães desesperados com crianças no colo. A polícia muitas vezes obrigada a reagir, mas qual batalhão do mundo que pode controlar oito mil pessoas que participaram de uma invasão? Mas o que leva a isso, é paixão clubística? Acho que não, a torcida do Flamengo sempre foi apaixonada pelo seu clube, mas nunca foi assim. Isso nunca existiu. Me parece que isso tem um pouco a ver com o momento do nosso país. Se nós temos dirigentes esportivos que vão para a cadeia, que são presos, que são acusados, que são indiciados, um presidente da confederação sul-americana, Nicolás Leoz, preso, julgado e culpado. É substituído por um uruguaio, (Eugenio) Figueredo, preso. Que é substituído por outro paraguaio, (Juan Ángel) Napout, que está sendo julgado nos EUA. O ex-presidente da CBF (Ricardo Teixeira) não sai do país, o que substituiu está preso e está sendo julgado nos EUA (José Maria Marin). E o atual acabou de ser suspenso por três meses pelo Comitê de Ética da Fifa, com possibilidade de mais 45 dias de suspensão, estou falando de Marco Polo Del Nero. Aí vamos para a política, com ex-governadores, ex-deputados e ex-senadores sendo presos. E os empresários, aqueles que mamaram por muito tempo e fizeram conluios com esses políticos? Será que (os invasores) não imaginam que possam fazer o que quiser? E quando falei dos dirigentes, isso não é só do futebol, porque o ex-presidente do Comitê Olímpico também foi preso (Carlos Arthur Nuzman). E o ex-presidente da confederação aquática brasileira também foi preso (Coaracy Nunes Filho). A lista é enorme. Os maus exemplos vêm de todas as partes. Será que isso não influencia nesse tipo de comportamento, nessa barbárie, nesse vandalismo? - concluiu.

 

 

 

 

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