Foto: : Getty Images A derrota de Pedro Munhoz para John Dodson na decisão dividida (28-29, 30-27 e 29-28), no UFC 222, no último sábado, ainda não foi digerida. O brasileiro - que teve uma sequência de quatro vitórias quebrada pelo adversário - discorda da visão dos árbitro e acredita que levou a melhor sobre o oponente por ter sido mais contundente.
Em entrevista ao Combate.com, Munhoz criticou os jurados - especialmente o que enxergou a vitória de Dodson em todos os rounds - e ainda se sente frustrado pelo desfecho do confronto, marcado pelo equilíbrio.
- No primeiro round eu estava querendo sentir a força dele, seu poder de impacto. Percebi que ele era mais velocidade do que força. No segundo e no terceiro, botei agressividade nos chutes e nos golpes, chutei a cara dele. Estava claro para a gente que ganhamos (o segundo round), o primeiro round a gente não sabia. Ele deu aqueles golpes pouco contundentes, sempre indo para trás, trabalhando nas laterais, e eu caçando aluta inteira. A decisão foi frustrante. (...) Olhei as estatíticas, foram cento e tantos golpes para cada lado, números parecidos. De chutes, foram 25 a 3, mais de 13 minutos de controle de cage em uma luta de 15. Ele tentou sobreviver, pontuou e andou pra trás. O cara que ganha é quem pontua? Quem tem mais agressividade e controla o cage perde? É complicado. O chute que ele falou que foi no saco foi próximo da bexiga, no estômago. Acho que jogou um agá. Deixar a luta para os juízes é uma bosta. Tento sempre finalizar ou nocautear. Venci o segundo e o terceiro, o primeiro round poderia ter ido para qualquer um, foi 50%. Fui mais efetivo. Ele acertava golpes, mas não era contundente.
O lutador da American Top Team cobra transparência em relação aos jurados que, diferentemente do árbitro central, não aparecem no vestiário antes da luta e nem dão entrevistas.
- Teve um jurado que deu os três rounds para o Dodson, 30 a 27. Que luta esse cara viu? A gente deveria saber mais sobre os juízes laterais e suas ideias de pontuação. O árbitro central vai no vestiário conversar com a gente, e os laterais a gente nem imagina quem são. Qual a experiência que tem no MMA? Como eles veem a luta no poder de julgamento? Contundência? Agressividade? Passividade? Até um leigo viu que fui 100% o agressor da luta. Deveria ter uma reunião com eles dias antes para ver qual a experiência que tem para fazer uma leitura de luta de MMA.
Pedro Munhoz, que vai aproveitar uma semana de férias antes de retornar aos treinamentos, garante que não perdeu a motivação. O paulista explica que ainda não pensou no nome de um próximo rival, entretanto, garante que uma revanche com Dodson não o interessa.
- Vou querer revanche para ele ficar correndo pra lá e pra cá? Vai para uma pista de corrida, vai correr os 100 metros. Revanche pra quê? Ele não vai cair para dentro. Do primeiro ao 15º do ranking da categoria ele é o único que não cai para dentro, é cheio de catimba. É muito rápido, ganhou de caras bons, mas tudo dessa maneira. Ele já correu da luta em Belém por causa de 1,2kg, agora correu nos três rounds. Perdi a luta no papel, no valor, mas quem viu a luta sabe que botei meu coração e dei tudo de mim, que é o que mais conta para os caras do UFC.