Presidente do COB se surpreende com corte de estatais: Não devia ter sido tanto
02/06/2018 | 11:13:35 Mariana Monteiro e Vicente Seda
Foto: Reprodução

A debandada de patrocinadores que afetou o esporte olímpico após a Rio 2016 também foi sentida, e bastante, no Comitê Olímpico Brasileiro (COB) que, envolvido em escândalos, trocou de presidente – o anterior, Carlos Arthur Nuzman, chegou a ser preso e renunciou -, teve sua relação com o Comitê Olímpico Internacional (COI) temporariamente rompida, e ficou praticamente sem patrocínios. Paulo Wanderley assumiu a entidade em um momento de reformulação e afirma já ter atingido uma redução de custo da ordem de R$ 15 milhões anuais.

 

Cortar despesas e otimizar recursos é a solução que aponta para as confederações, que viram a verba que recebiam de estatais cair cerca de 33% de 2016 para 2017, conforme reportagem publicada em O Globo no dia 12 de abril - o investimento caiu de R$ 454 milhões para R$ 302 milhões.

Para Paulo Wanderley, o corte foi acima do esperado. Apesar de afirmar que já era possível identificar uma redução dos investimentos para o período pós-Olimpíada, não imaginava uma diminuição tão drástica do aporte das estatais. A Petrobras, por exemplo, chegou a extinguir seu investimento em esporte olímpico em 2017, mas retomará nas próximas semanas o financiamento de um time, agora com 25 atletas, até o fim de 2020.

É um reflexo de um todo, são muitas variáveis nesse contexto. A situação institucional do país, na área econômica e política, e naturalmente isso aí resvala no todo. Essa redução, eu não diria que é uma redução previsível nesse quantitativo necessário, em ordem de 30%, 35% conforme a gente tem visto pela imprensa em geral. Mas isso estava dentro de um contexto de quem vinha analisando, de quem está dentro do esporte acompanhando o pós-Olimpíada. O pré-Olimpíada já sinalizava uma situação parecida. Mas evidentemente que é um impacto.

Qual o prejuízo disso para o esporte olímpico?
O esporte de performance, o esporte olímpico competitivo, ele necessita de recurso, ele não funciona sem recurso, ideias são boas, bem-vindas, mas é fundamental que tenha um aporte de recurso para que a máquina opere. Sem recurso não há possibilidade. Houve sim esse impacto, de um modo geral negativo, claro que foi negativo, se você tinha um recurso, não tem mais, ou tem menos, evidentemente que você tem esse impacto. Mas das crises é que surgem as oportunidades e aflora a criatividade. No aspecto de Comitê Olímpico nós tomamos as nossas providências, isso é notório, já está divulgado e sendo praticado. Há um impacto? Há sim, mas estamos em um processo de minimizar ao máximo.

A organização Olimpíada viveu uma série de dificuldades, depois escândalos, até essa questão de compra de votos para escolha de sede. Quanto isso influencia? Existe alguma outra razão esportiva? Os resultados não foram suficientes, ou a visibilidade não foi suficiente... 
Vamos colocar primeiro que os Jogos Olímpicos foram um sucesso. Isso é incontestável no mundo inteiro. O que aconteceu no Brasil, a operação que aconteceu em termos de Jogos Olímpicos, foi um sucesso. Não temos dúvidas disso aí. Também temos de considerar que os Jogos foram realizados no Brasil, então é evidente que os aportes são maiores, envolve não só a questão do esporte em si, mas tudo que está em volta da preparação deste grande evento. Então queríamos fazer o melhor. Os recursos que vieram foram muito acima do que é normal aplicar, então é natural que se perdesse também algum desses investimentos. Agora, falar sobre o que aconteceu no entorno disso aí, eu já não tenho interesse em fazer esse tipo de comentário. Estou trabalhando com o que tenho em mãos e daqui para frente.

 

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