Foto: Alkis Konstantinidis / Reuters Eles fabricam chocolates e relógios de rara qualidade. Mas no futebol a fama dos suíços foi associada a outro produto: ferrolho. Defesa fechada e retranca sempre foram expressões relacionadas ao futebol da Suíça. Mas a atual seleção nacional, 6ª colocada no ranking da FIFA, adversária do Brasil na estreia, chega à Copa da Rússia credenciada por uma boa produção ofensiva nas eliminatórias europeias. O time fez 23 gols e ficou em segundo no Grupo B, atrás de Portugal. A classificação veio na repescagem com uma vitória e um empate contra a Irlanda do Norte.
O único confronto entre Brasil e Suíça em Copas foi no Brasil, em 1950 – empate em 2 a 2 no Pacaembu. A seleção que vai enfrentar o Brasil tem como destaques os meias Behrami (Udinese-ITA), Shaqiri (Stoke City-ING) e Xhaka (Arsenal), além dos defensores Lichtsteiner (Juventus-ITA) e Ricardo Rodriguez (Milan). Todos os jogadores convocados para a Copa na Rússia atuam fora da Suíça.
O maior nome do esporte suíço não está no futebol. Mas é um torcedor ferrenho do time de mais destaque do país no momento. O Globosporte.com esteve em Basel, cidade do FC Basel, que foi o primeiro clube de Mohamed Salah na Europa e também teve o croata Rakitic. E poderia ter abrigado outro promissor jogador, que tornou-se um craque com uma bolinha menor. Mas ele era bom também com a bola maior.
O maior jogador de tênis de todos os tempos, que já ganhou vinte torneios de Grand Slam, o Pelé da raquete, quem diria, podia ter sido jogador de futebol. O menino Roger Federer treinava e jogava no FC Concordia, um pequeno clube que revela jogadores para o FC Basel.
Herman Studer, o treinador dele na época, lembra bem de como Roger levava a sério qualquer jogo. E já se destacava.
- Ele era um meio campo rápido, duro, bom de bola, e o que era interessante é que quando a gente perdia um jogo, e não perdíamos muitos, ele chorava. Ele sempre chorava , ele não podia perder. Aos sábados a gente tinha jogo, era o dia do futebol, aos domingos ele jogava tênis.
Ele era um dos melhores do nosso time e poderia ter sido um grande jogador, quem sabe? – recorda Studer.
País solidário, time multicultural
Se Federer era um jogador duro e combativo isso vinha a ser a imitação de uma característica suíça. Durante quatro séculos eles foram mercenários, contratados por reis e países diversos para lutar. A herança desses tempos é a Guarda Suíça Pontifícia, que protege os papas desde 1506. Mas se esses tempos de guerra estão distantes da realidade dos suíços: eles são bastante solidários com os que sofreram recentemente os horrores de conflitos sangrentos.
Muita gente fugiu das guerras dos anos 90 que acabaram com a Iugoslávia e se abrigaram na Suíça. A seleção que vai disputar a Copa na Rússia é um reflexo disso. O técnico Vladimir Petkovic, o meio-campo Xhaka e o atacante Dzemaili, entre outros, são todos originários de lá. O meia Behrami, que vai para a sua quarta Copa do Mundo, nasceu no Kosovo.
- Nós somos vários jogadores que não nascemos aqui, que temos outra origem. Mas todos nós nos sentimos suíços, todos jogamos por um país que nos deu tanto e queremos retribuir porque estamos muito contentes e queremos agradecer quem nos deu um futuro tão bonito – disse Dzemaili.