Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio Cícero percebe a movimentação de Everton e, antes mesmo da risca do meio-campo, acerta um lançamento milimétrico. O atacante corre por trás da zaga, se antecipa ao goleiro Jori com o peito e dá um toquinho sutil com o pé esquerdo para vencer dois marcadores, que se chocam no gramado ao tentar o carrinho. A bola quica caprichosamente até se aninhar nas redes. Não poderia ser diferente para um gol valioso, que encerrou a seca do Grêmio na Arena e selou a vitória por 1 a 0 sobre o América-MG, neste domingo, pela 11ª rodada do Brasileirão.
Everton sabia bem disso. Ainda antes da partida, o camisa 11 falou em exorcizar a "zica" ao passar pela zona mista e rumar ao vestiário. Dito e feito: na comemoração, fez questão de tirar a urucubaca do corpo. Após três jogos sem gols, com dois empates e uma derrota em casa, o Tricolor não só voltou a triunfar diante de seu torcedor no Nacional, como deu salto na tabela para retomar seu posto no G-4. A equipe ocupa a quarta colocação na tabela, com 19 pontos.
Mas o reflexo mais positivo do resultado, de fato, recai sobre o reencontro com a vitória na Arena em partidas pelo Campeonato Brasileiro. Até o tento de Everton, anotado aos 31 do primeiro tempo, o Tricolor chegou a 312 minutos sem marcar em seu estádio na competição – desde que Arthur fechou a goleada por 5 a 1 sobre o Santos, ainda na 4ª rodada, em 6 de maio, há mais de um mês. De lá para cá, a equipe amargou dois empates em 0 a 0 com Inter e Fluminense e a derrota por 2 a 0 para o Palmeiras.
O triunfo deste domingo, aliás, foi conquistado sem brilho coletivo da equipe, com uma atuação distante do futebol vistoso já apresentado na temporada, a ponto de ser apontado como o melhor do país. Na ausência de Maicon, o Tricolor ainda teve o controle da posse e propôs o jogo, mas rodou menos a bola ao verticalizar mais seu passes – como o lance do gol pode provar. O próprio Renato reconhece a queda de rendimento.
– O Grêmio não vem jogando aquele futebol que vinha encantando o Brasil. Não fico me queixando de jogadores que ficam fora. Mas temos jogado sempre sem quatro ou cinco titulares. É normal cair um pouquinho de produção. Mas seguimos no G-4, a um ponto do vice-líder. Agora, com a Copa, vamos recuperar os jogadores, a parte tática, parte técnica. O meu time não vem mal. Só não está repetindo as atuações que vinha tendo – afirma o treinador.
Com a vitória, o Tricolor se "despede" da torcida antes da parada da Copa com motivos a sorrir, por ter "suavizado" a má campanha como mandante no Brasileirão. Passados seis jogos em casa, o Tricolor soma duas vitórias, três empates e uma derrota – 50% de aproveitamento. Como visitante, a equipe é dona do melhor retrospecto da competição, ao lado do líder Flamengo, com três vitórias, um empate e uma derrota – 66,6% de aproveitamento.