Foto: Divulgação O futebol de 5, modalidade destinada a atletas com deficiência visual, tem dado muitas alegrias ao Brasil. O time brasileiro conquistou o pentacampeonato mundial ao vencer a Argentina por 2 a 0, em Madri, no dia 17 de junho. O título garantiu à seleção a primeira vaga conquistada para a Paralimpíada de Tóquio, em 2020. O Japão também tem presença garantida, mas por ser o anfitrião. Na engrenagem dessa forte equipe, dois baianos são peças fundamentais. O Ala/Pivô Jefinho, 28, e o fixo Cássio Reis, 29, se destacam como grandes jogadores da modalidade.
Em entrevista ao Bahia Notícias, Cássio destacou o feito brasileiro e projetou mais conquistas. “Único título garantido é o Brasil, fora o Japão. Será o grande campeonato desse ciclo. Os outros campeonatos que a gente participa são degraus, mas são todos importantes. Tem a Copa América, o Mundial, além do Parapan do ano que vem, que servirá como uma grande preparação para Tóquio”, afirmou.
Baiano de Ituberá, Cássio perdeu a visão aos 14 anos. Foi no Instituto de Cegos da Bahia (ICB) que ele conseguiu se “readaptar”.
“O interior acabou sendo algo que não me levaria a obter grandes resultados futuros. Vim para Salvador para aprender o braile e continuar inserido no colégio. Acabei conhecendo o esporte no ICB. Não escolhi o futebol de cara, também fazia natação e atletismo. Procurei no esporte uma porta de entrada na sociedade. Em seguida me destaquei no futebol, pois jogava na infância lá em Ituberá”, relembrou.
Cássio conquistou muitos títulos na carreira, como as duas Paralimpíadas em 2012 e 2016. Pelo ICB, o jogador foi campeão seis vezes seguidas do Brasileiro de Futebol de 5. Entretanto, mesmo com uma trajetória vitoriosa, ele salienta que o esporte ainda precisa de mais apoio, principalmente nos clubes.
“Existem duas visões do futebol de 5 no Brasil. A estrutura da Seleção Brasileira é melhor do que muitos clubes de futebol na Série B. O centro de treinamento é fantástico, temos nutricionista, fisiologista, tudo. A CBDV [Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais] nos dá todo suporte. Já no clube, a situação não é a mesma. Os clubes enfrentam muitas dificuldades. Para os órgãos não é tão interessante que se invista em algo que possivelmente não vá dar o retorno esperado”, lamentou.
O fixo, inclusive, não esconde a decepção com a propagação do esporte no país após o título na Paralimpíada do Rio em 2016.
“Quando aconteceu a Paralimpíada no Rio, nós imaginávamos que seria o divisor de águas. A aceitação era muito grande. O SporTV transmitiu e fez muito sucesso. No entanto, tudo isso foi esquecido depois da competição. Houve todo aquele alvoroço, mas depois caímos no anonimato novamente. É justamente por esse motivo que dificulta recebermos patrocínios”, revelou.