Foto: Pedro Martins/MoWA Press A atuação de Allan na vitória por 1 a 0 sobre Camarões mostra que ele ouviu bem as orientações da comissão técnica da seleção brasileira. Pouca gente sabe, mas ouvir bem é uma vitória pessoal na carreira do volante de 27 anos que ganhou pontos nos últimos jogos da seleção brasileira.
Em 2014 e 2015 ele fez cirurgias nos dois ouvidos para se curar de otosclerose. Trata-se de uma doença que provoca surdez progressiva, pelo crescimento anormal de tecido ósseo que impede a condução das vibrações sonoras no sistema auditivo.
Desde a infância, Allan escutava menos do que podia, e o problema foi se tornando cada vez maior. Até que quando ele defendia a Udinese, em 2014, os médicos o aconselharam a operar.
– Eu operei o ouvido direito na Copa do Mundo de 2014, e no ano seguinte o esquerdo. Era algo que eu tinha desde pequeno, foi piorando de pouquinho em pouquinho, mas graças a Deus ficou tudo certo e hoje estou bem – disse Allan, após a vitória sobre Camarões.
Nos treinos no CT do Arsenal, no início da preparação para essa rodada de amistosos, Tite aproveitou para observar Arthur e Allan como primeiros volantes, na função habitual de Casemiro, cortado por lesão. Ambos seriam uma opção a Walace, único do grupo com características mais aprumadas para a posição.
Para ter um meio-campo mais móvel contra Camarões, Tite e seus auxiliares optaram por recuar Arthur e manter Allan na posição mais adiantada. Isso porque na visão deles, Allan, aos 27 anos, já tem uma compreensão dessa função maior do que Arthur, de 22.