Nova geração garante o pouco brilho do Brasil em etapa do Circuito Mundial de karatê
03/03/2019 | 10:39:23 GloboEsporte.com
Foto: Thiago Fernandes

Quando o Brasil entra em uma competição de karatê, no masculino, os olhos ficam voltados para as categorias -60 kg, por causa do bicampeão mundial Douglas Brose, e para a -67kg, que conta com o atual vice-campeão mundial Vinícius Figueira. Neste fim de semana, em Salzburgo, na Áustria, foram realmente essas categorias que trouxeram os melhores resultados para o Brasil no Circuito Mundial de karatê. Mas não com os nomes mais conhecidos, e sim com os atletas da nova geração Rafael Nascimento, de 23 anos, e Breno Teixeira, de 22.

 

Rafael fez uma competição impecável. Depois de vencer cinco lutas, só foi derrotado na semifinal pelo turco Eray Samdan. Uma derrota com gosto amargo. Nenhum dos dois conseguiu encaixar um golpe perfeito e o placar acabou 0 a 0. Na bandeirada, os jurados deram vitória para Eray. Na disputa pelo bronze, o brasileiro foi derrotado pelo egípcio Malek Samala.

 

- Ano passado, na primeira competição, eu perdi na primeira rodada. Esse ano, consegui ir bem melhor. Fiz 7 lutas, ganhei 5. Fiquei triste por perder o bronze, mas feliz pelo quinto lugar. Foi de arrepiar na hora que anunciaram meu nome para entrar e todo mundo do país começou a gritar. Eu sabia que estava representando o país. Uma honra gigantesca estar representando meu país numa disputa desse tamanho - disse Rafael, melhor brasileiro entre os 30 que foram pra Áustria.

 

Breno também se saiu bem. Na categoria com mais atletas inscritos (222), o brasileiro chegou às quartas de final quando foi derrotado por 4 a 2 por Mussa Bexultan, do Kasaquistão.

- Minha meta era lutar bem. Minha experiência nessas competições não era tão boa. Queria lutar bem e me sentir bem comigo mesmo. Fico feliz de ter conseguido isso. A medalha ficou por pouco. Saio muito feliz, mas não satisfeito. A gente não pensa na hora que vai lutando. Quando para pensar...de 222, eu estava entre os 8. É um caminho bem longo. Infelizmente a medalha não veio dessa vez. Agora estamos em reta final de preparação para o Pan-Americano de karatê. Espero sair de lá com a medalha - falou Breno.

Há pouco mais de uma semana, o Comitê Olímpico da França divulgou os esportes que pretende ter na Olimpíada de 2024, em Paris. O karatê não está entre eles, o que causou revolta no mundo do esporte. Essa decisão, claro, tem impacto sobre todos os atletas, mas maior naqueles que sabem que têm poucas chances de chegar em Tóquio-2020, mas que são vistos como a esperanças para o futuro. Na equipe brasileira, parece que foram justamente esses que lidaram melhor com esse impacto na primeira competição após esse anúncio.

Rafael Nascimento faz parte da seleção brasileira, mas disputa uma vaga na Olimpíada diretamente com Douglas Brose porque são da mesma categoria, e indiretamente com Vinícius, já que as categorias -60 kg e -67kg se juntarão para formar uma só nos Jogos. O contrário acontece com Breno Teixeira, que também está na seleção, mas na mesma faixa de peso de Vinícius. Os dois são considerados nomes fortes para o futuro, mas dificilmente estarão no Japão, já que cada país só pode mandar um representante por categoria e os mais experientes estão bem na frente nessa briga.

 

 

 

 

 

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