Foto: Reprodução A zagueira Rafaelle figura na lista de jogadoras brasileiras convocadas, na última terça-feira, pela técnica Pia Sundhage para a disputa da Copa do Mundo Feminina, que será realizada na Austrália e na Nova Zelândia, entre 20 de julho e 20 de agosto. Capitã da Seleção, Rafaelle exerce um papel que vai além das quatros linhas.
Passando férias em Salvador, a baiana de Cipó aproveitou para conhecer o futuro do futebol feminino brasileiro. Nesta quarta-feira, Rafaelle resolveu fazer uma surpresa para meninas do time da Lusaca.
As jogadoras estavam na rotina diária, treinando na sede da Lusaca, quando foram surpreendidas com a presença da zagueira Rafaelle. A novidade gerou diferentes reações nas atletas baianas. Muitas ficaram boquiabertas. Outras, cairam nas lágrimas.
Uma delas foi Tiffany Souza. A baiana tem 15 anos e joga na Lusaca, também como zagueira, mesma posição de Rafaelle.
"Assistindo a Rafaelle jogar foi o que me fez gostar de jogar futebol. Foi em um jogo da seleção brasileira que eu me inspirei nela. Ela joga fácil", disse a baiana Tiffany.
- Me inspirei nela para seguir com esse sonho e ter visto ela tão de pertinho, foi uma sensação incrível. Não consegui manter minha emoção, chorei, fiquei tão nervosa de felicidade que nem conseguia raciocinar direito aquele momento. No momento em que ela me abraçou a emoção foi maior ainda - completou.
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Rafaelle ao lado de Tiffany, também zagueira, que se emocionou com a surpresa da capitã — Foto: Arquivo Pessoal
Além de Tiffany, outras jogadoras viveram um dia inesquecível. O objetivo, para todas, é um só: ser uma jogadora profissional e, quem sabe, defender a seleção brasileira.
- Levarei comigo na minha trajetória. E com muita dedicação e treino, tenho fé que irei conseguir chegar onde ela chegou - comenta Tiffany.
Para Rafaelle, o momento também vai ficar marcado na memória. A zagueira avaliou o papel que exerce para as futuras gerações de jogadoras.
"Eu entendo que meu papel hoje não é só dentro de campo, é também fora inspirando outras meninas e foi muito legal estar sentindo isso de perto, como é ser uma inspiração pra elas", diz Rafaelle.
- Gostei muito de ter conhecido o trabalho do clube, que também ajuda algumas das meninas que não tem tantas condições, de ver tantas meninas podendo realizar seus sonhos de jogar futebol - completou a zagueira.
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Rafaelle em lance de drible diante da Suécia — Foto: Lucas Figueiredo/CBF
A Lusaca é um time feminino na Bahia, de raízes afro. Atualmente, é o clube que mais revela atletas na categoria feminina no nordeste, e um dos poucos times brasileiros a ter uma base exclusivamente para a modalidade. Hoje, são 60 meninas integradas no elenco e em atividade.
- Somos um clube fundado por uma família de pretos, em especial Ruan Conceição que colocou o nome em homenagem ao povo LUSAKA que lutou pela sua independência em Zâmbia, assemelhando-se assim com Dois de Julho, onde negros e caboclos lutaram pela independência da Bahia. Usamos as cores das maiorias das bandeiras dos países africanos e da moda afro, a estrela negra que representa o povo preto e temos além dessa causa, a das meninas e mulheres que lutam por uma independência pessoal, igualdade e liderança - explicou Isabela.
Como a maioria dos clubes femininos do país, a Lusaca pede ajuda para conseguir manter a atividade e realizar sonhos de jogadoras, que são o futuro da modalidade no Brasil.
- Nós realizamos um trabalho fundamental psicológico e motivacional e como o futebol feminino é um setor que passa por inúmeras dificuldades, sendo a falta de patrocínio, apoios, parceiros -, complementa Isabela.
Esse ano, a Lusaca vai disputar o Campeonato Baiano Feminino profissional e o sub-17, que ainda não têm data prevista para acontecer. Também estão no calendário da equipe a Copa Loreta Valadares, Afrocup, Copa Rubro-negra Sub-17, e outros torneios estaduais.
"A visita da Rafa em nosso treino foi um renovador de esperanças para as nossas meninas e também para o nosso clube", diz Isabela Cristina, diretora de futebol feminino da Lusaca