Flamengo é obrigado a compensar ex-vigia por traumas derivados do incêndio no Ninho do Urubu
04/07/2025 | 18:40:24 Paulo Melo
Foto: Letícia Marques / ge

A Justiça do Trabalho determinou que o Flamengo deve compensar Benedito Ferreira, um ex-vigia do Centro de Treinamento Ninho do Urubu, que estava presente durante o trágico incêndio ocorrido em 2019, que resultou na morte de dez jovens atletas das categorias de base. A sentença, dada em primeira instância pela 23ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, estabelece que o clube deverá pagar uma indenização provisória de R$ 600 mil, além de uma pensão vitalícia e a reintegração de Benedito ao quadro de colaboradores do clube, em uma função diferente da anterior, em razão dos traumas psicológicos que vivenciou.

Benedito foi um dos que ajudaram a resgatar três jovens dos contêineres em chamas, mas não conseguiu salvar um quarto atleta devido à força do fogo, o que aumentou seu sofrimento. Um laudo pericial, considerado conclusivo pelo juiz Bruno Andrade de Macedo, identificou que ele apresenta distúrbios depressivos, de adaptação e de pânico, os quais afetaram sua capacidade de exercer suas funções anteriores. O laudo estabeleceu uma conexão direta entre os problemas psicológicos e as condições que Benedito enfrentou durante o incêndio.

A decisão judicial apontou falhas do Flamengo, como a ausência de um brigadista no Ninho do Urubu e a falta de treinamento para Benedito na utilização de extintores, o que piorou a situação. Do total de R$ 600 mil determinados, R$ 100 mil são referentes a danos morais. O valor final da indenização será decidido após o julgamento em segunda instância. O clube tem até a próxima semana para recorrer da sentença.

O laudo pericial confirmou que os traumas que Benedito sofre continuam a afetar sua saúde mental, contrariando a afirmação do Flamengo de que ele estaria recuperado. Durante uma audiência de conciliação, que não teve êxito, um representante do clube alegou que o incêndio foi rápido, insinuando que Benedito não havia participado do resgate e que os jovens quebraram as janelas para conseguir escapar. O Flamengo também declarou que cobriu os custos do tratamento de saúde do ex-vigia até sua segunda alta previdenciária, mas interrompeu os pagamentos ao considerar que ele já estava curado.

A reintegração de Benedito ao clube, decidida pela Justiça, é encarada positivamente por ele, principalmente pela perspectiva de ter acesso ao plano de saúde, que ajuda na continuidade de seu tratamento psicológico. Um pedido para receber adicional de periculosidade foi negado, já que Benedito trabalhava desarmado.

Em resposta, o Flamengo informou que o assunto está sendo analisado por sua equipe jurídica, que examinará a sentença e decidirá os próximos passos. O clube pode optar por recorrer contra a decisão, inclusive em relação à exigência de reintegração.
A sentença do tribunal enfatiza a obrigação do Flamengo em relação às condições laborais no Ninho do Urubu durante o período do incêndio, sublinhando a urgência de compensação pelos prejuízos enfrentados por Benedito Ferreira, que lidou com impactos emocionais prolongados após o triste incidente.

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