COI define que apenas “mulheres biológicas” poderão disputar categorias femininas em competições oficiais
27/03/2026 | 12:18:32 Paulo Melo
Foto: Divulgação

O cenário esportivo mundial passou por uma mudança drástica nesta sexta-feira, 27 de março de 2026. O Comitê Olímpico Internacional (COI) estabeleceu uma nova diretriz determinando que apenas “mulheres biológicas” estarão aptas a participar de competições femininas, tanto individuais quanto coletivas, em eventos chancelados pela entidade. A medida já entra em vigor para o ciclo dos Jogos Olímpicos de 2028, que serão realizados em Los Angeles, nos Estados Unidos.

De acordo com o comunicado oficial, essa política é restrita ao esporte de alto rendimento e não atinge programas amadores ou recreativos. Na prática, a decisão impede que atletas mulheres trans disputem medalhas nas categorias femininas oficiais. O COI reforçou que essas atletas seguem elegíveis para categorias masculinas, vagas reservadas a homens em modalidades mistas ou categorias abertas, onde não há classificação por sexo.

A presidente do COI, Kirsty Coventry, defendeu a medida com base em critérios técnicos. “A política que anunciamos é baseada na ciência e foi liderada por especialistas médicos. Nos Jogos Olímpicos, até as menores margens podem ser a diferença entre a vitória e a derrota. Portanto, é absolutamente claro que não seria justo para homens biológicos competirem na categoria feminina. Além disso, em alguns esportes, simplesmente não seria seguro”, explicou a dirigente.

Ciência e segurança como pilares

A entidade argumenta que o sexo masculino oferece vantagens biológicas em esportes que exigem força, potência e resistência. Para embasar a decisão, o COI consultou mais de 1,1 mil atletas e formou um grupo de trabalho com especialistas em áreas como endocrinologia, ética, direito e medicina esportiva. O objetivo central, segundo a nota, é garantir a equidade e proteger a integridade física das competidoras, especialmente em modalidades de contato.

Para viabilizar a nova regra, será implementado um sistema de testes de sexagem. Todas as atletas deverão fornecer amostras de saliva ou sangue para verificar a presença do gene SRY, responsável pelo desenvolvimento biológico masculino. Esse método já é utilizado em algumas federações de alta competitividade e, agora, o COI orienta que todas as associações nacionais e internacionais adotem o mesmo padrão.

Fundado em 1894 com a missão de promover a paz e a união através do esporte, o COI enfrenta agora o desafio de equilibrar essa nova norma com seu princípio fundamental de combater qualquer forma de discriminação no movimento olímpico.

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