Foto: Reprodução O karatê de Camaçari tem sido representado por atletas que conciliam talento, dedicação e uma rotina de muitos desafios para continuar competindo. Entre eles estão Maria Clara e Adaílton Santana, integrantes da equipe Ascapério, formada pela parceria entre Ascalin e Império Karatê-Do.
Durante entrevista, os dois atletas falaram sobre suas trajetórias, os resultados conquistados e as dificuldades encontradas para manter a participação em competições. Para ambos, a determinação é fundamental para não abandonar o esporte, mesmo diante das limitações financeiras.
Com apenas oito anos, Maria Clara já acumula resultados importantes no karatê. A atleta é vice-campeã estadual estudantil e medalhista de bronze em competição nacional. Ela pratica a modalidade há cerca de cinco a seis anos e destaca a importância da união entre os atletas para enfrentar as dificuldades.
Ao falar sobre a responsabilidade de competir fora do município, Maria Clara ressaltou que a representação vai além da própria equipe.
“A gente não tá só levando o nome da nossa academia... a gente tá levando o nome de Camaçari.”
A karateca também resumiu a postura que pretende manter diante dos obstáculos encontrados ao longo da trajetória:
“Desistir nunca é uma escolha.”
A frase também foi reforçada por Adaílton Santana durante a entrevista, em um discurso de incentivo à permanência e ao compromisso com os treinamentos.
Aos 38 anos, Adaílton Santana também possui uma trajetória de destaque na modalidade. O atleta é vice-campeão sul-americano, vice-campeão brasileiro e ocupa o primeiro lugar no ranking estadual de karatê.
Fora dos tatames, ele divide o tempo entre os treinamentos e o trabalho na construção civil. A rotina exige esforço e organização para que consiga manter a preparação esportiva, além de servir como referência para os atletas mais jovens da equipe.
Adaílton também explicou como muda sua postura quando começa a treinar e veste o kimono.
“Quando eu boto o meu kimono e piso no dojô, irmão, é daquele jeito, se transforma.”
Dentro das competições, a postura também é de enfrentamento. Em outro momento da entrevista, ele resumiu a atitude que considera necessária para buscar a vitória:
“Se não for para cima deles, a gente não ganha.”
O espírito de motivação também aparece em uma expressão repetida pelo grupo:
“Vamos para cima.”
Um dos principais obstáculos relatados pelos atletas está relacionado aos custos para participar das competições. Viagens, hospedagem e inscrições em torneios nacionais e internacionais representam despesas que precisam ser enfrentadas para que os karatecas possam manter o calendário competitivo.
Segundo os relatos, a equipe muitas vezes recorre a rifas e ao apoio do comércio local para conseguir viabilizar as viagens e as inscrições.
Por isso, Maria Clara e Adaílton fizeram um apelo por apoio financeiro e patrocínio, apontados como importantes para a continuidade da participação dos atletas nas competições.
Além da questão financeira, os atletas destacaram as dificuldades relacionadas à falta de políticas públicas mais efetivas para o esporte em Camaçari, citando a necessidade de maior apoio institucional, estrutura e incentivo aos atletas.
A situação faz com que parte dos custos e da organização necessária para participar das competições fique sob responsabilidade dos próprios atletas, das famílias, da equipe e de apoiadores.
Mesmo diante desse cenário, a mensagem transmitida durante a entrevista foi de continuidade. A determinação aparece como um dos principais elementos da trajetória dos dois karatecas, que seguem treinando e buscando representar Camaçari em competições dentro e fora da Bahia.
“Desistir nunca é uma escolha.”