“Sou 100% a favor das novas regras”, diz Fábio Mota ao explicar voto contrário à “Lei Vini Jr.”
12/08/2026 | 19:11:09 Paulo Melo
Foto: Victor Ferreira / EC Vitória

O presidente do Vitória, Fábio Mota, explicou por que decidiu votar contra a adoção imediata do novo conjunto de regras aprovado pelos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Embora seja favorável às mudanças, o dirigente entende que a implementação deveria ocorrer somente a partir de janeiro de 2027.

As medidas foram criadas com o objetivo de diminuir a perda de tempo durante as partidas e aumentar o período de bola em jogo. Entre as alterações estão a determinação de até cinco segundos para cobranças de lateral e tiro de meta, além de um prazo para que jogadores substituídos deixem o campo.

Outra mudança determina que o atleta que receber atendimento médico durante a partida permaneça um minuto fora de campo antes de retornar ao jogo.

Também foi aprovado o chamado “Protocolo Vini Jr.”, que prevê a expulsão em situações nas quais o jogador cobre a boca para se comunicar com um adversário de maneira considerada provocativa, depreciativa ou inflamatória.

Apesar de concordar com o pacote, Fábio Mota considera inadequado colocar as novas regras em prática com o Campeonato Brasileiro já em andamento.

“Eu sou favorável a todas as regras. Eu só acho que a gente está com 60% do campeonato em andamento. Nós temos dificuldade seríssima com as regras atuais.”

Para o presidente do Vitória, a arbitragem brasileira precisa primeiro passar por um processo de preparação antes de lidar com novas determinações.

“Você trazer novas regras sem resolver a questão das atuais, eu sou contra implementar nesse momento. Eu acho que a arbitragem brasileira precisa de reciclagem, você melhorar o quadro para depois você trazer novas regras.”

Fábio Mota reforçou que sua discordância está relacionada ao momento escolhido para a mudança, e não ao conteúdo das novas regras.

“Sou 100% a favor das novas regras, contanto que elas sejam empreendidas a partir de janeiro de 2027.”

Dirigente questiona aplicação do protocolo

Ao comentar especificamente o “Protocolo Vini Jr.”, Fábio Mota também colocou em dúvida se a medida terá o mesmo resultado no futebol brasileiro e em competições internacionais.

Segundo o dirigente, as condições encontradas em uma Copa do Mundo são diferentes, tanto pela qualidade da arbitragem quanto pelo nível dos jogadores envolvidos.

“Não dá para analisar a lei igual para todos com realidades diferentes. Na Copa do Mundo estão os melhores árbitros de cada país.”

Fábio Mota acrescentou que os próprios atletas e árbitros que participam de um Mundial apresentam um contexto diferente daquele encontrado no futebol brasileiro.

“O árbitro e os atletas são diferentes. A chance de dar certo é muito mais provável do que fazer isso no Brasil.”

O presidente do Vitória ainda questionou a interpretação do gesto de colocar a mão diante da boca durante uma discussão. Para ele, o movimento não necessariamente significa que o jogador esteja praticando uma ofensa ou qualquer outro ato de agressão.

“De repente você está levando em consideração isso como se fosse uma regra básica e você pode simplesmente estar conversando aí outras coisas, tantas, que não desrespeitam a agressão, um ato de racismo ou qualquer tipo de ato de racismo.”

As novas determinações aprovadas pelos clubes passam a fazer parte das partidas das Séries A e B a partir da 23ª rodada, enquanto Fábio Mota defende que a aplicação seja deixada para o início da temporada de 2027.

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