Investidor do Feira FC, Bruno Karttos é alvo de operação que apura esquema de apostas de R$ 1,4 bilhão
13/08/2026 | 18:22:40 Paulo Melo
Foto: Reprodução / instagram

Bruno Karttos, empresário e um dos investidores ligados ao Feira Futebol Clube, foi alvo nesta quinta-feira (13) da Operação Aposta Suja, deflagrada pelo Ministério Público para investigar um grupo suspeito de explorar ilegalmente plataformas de apostas, aplicar golpes contra usuários e lavar dinheiro. Segundo as investigações, as movimentações financeiras consideradas suspeitas ultrapassaram R$ 1,4 bilhão entre 2022 e 2026. A informação sobre a participação de Karttos no projeto do Feira FC também é registrada pela Federação Bahiana de Futebol.

A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão na Bahia, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em Feira de Santana, uma das ordens judiciais foi cumprida na residência de Karttos, localizada em um condomínio de luxo. O empresário não foi preso.

Karttos é conhecido nas redes sociais pela produção de conteúdos relacionados a apostas e futebol. Seu perfil no Instagram reúne centenas de milhares de seguidores e também apresenta registros de viagens, veículos de alto padrão e outros aspectos de sua rotina pessoal.

Além da atuação no mercado digital, Bruno Karttos integra o projeto do Feira FC como investidor, ao lado de Neto Lima. O clube, fundado em 2026 e disputando a Série B do Campeonato Baiano, tem Marcus Rios como presidente.

Investigação mira plataformas de apostas

De acordo com a apuração conduzida pelas autoridades, os investigados seriam responsáveis pela operação de sites de apostas sem autorização do Ministério da Fazenda. O dinheiro depositado pelos usuários, segundo a investigação, seria encaminhado para empresas utilizadas como fachada.

Outra suspeita levantada é de que clientes encontrariam dificuldades para retirar valores disponíveis em suas próprias contas nas plataformas.

A investigação também aponta para uma possível estrutura de lavagem de dinheiro, com utilização de criptoativos, distribuição dos recursos por diferentes contas bancárias e transferências para o exterior. A suspeita é de que essas operações teriam sido utilizadas para dificultar a identificação da origem dos valores.

Coaf identificou mais de 800 operações suspeitas

Um dos elementos utilizados na investigação são informações financeiras reunidas em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo os investigadores, foram identificadas mais de 800 comunicações de operações consideradas suspeitas entre 2022 e 2026 envolvendo pessoas e empresas relacionadas à apuração.

As movimentações analisadas ultrapassaram R$ 1,4 bilhão, sendo que mais de R$ 100 milhões teriam passado por uma única empresa investigada.

Mandados foram cumpridos em três estados

A Operação Aposta Suja é resultado de uma investigação iniciada pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Gaeco do Ministério Público do Rio de Janeiro, conhecido como CyberGaeco.

A ação contou com a participação de órgãos de investigação do Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo, além da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.

Os mandados foram autorizados pela 3ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, as autoridades apreenderam dinheiro em espécie, inclusive moedas estrangeiras, um tablet, um telefone celular e dois veículos de alto padrão. O material deverá ser analisado para auxiliar na identificação da origem dos recursos, da estrutura financeira investigada e da participação de cada suspeito.

Apuração continua

Em Feira de Santana, a ação concentrou-se em um condomínio de luxo. A análise dos materiais apreendidos deverá ajudar os investigadores a esclarecer o funcionamento da suposta organização e o caminho percorrido pelos valores movimentados.

As autoridades também buscam identificar os responsáveis pelas plataformas investigadas e dimensionar a participação de cada envolvido no esquema sob apuração.

A reportagem não conseguiu contato com Bruno Karttos para obter um posicionamento sobre a investigação. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos.

A operação ocorreu nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, data que corresponde ao calendário vigente.

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