Foto: Reprodução / Youtube O Bahia vive um momento de crescimento no Campeonato Brasileiro, e Rogério Ceni atribui a boa fase principalmente à evolução da equipe em aspectos como competitividade, intensidade e força mental. Após a partida, o treinador analisou o desempenho do time, reconheceu os problemas apresentados no início do confronto e valorizou a capacidade dos jogadores de reagirem diante das adversidades.
O comandante tricolor admitiu que o Bahia encontrou dificuldades para controlar a velocidade do adversário na primeira etapa. A equipe sofreu com as transições e correu riscos antes de conseguir equilibrar o confronto.
“Não conseguimos neutralizar a velocidade deles. Poderiam ter feito um segundo gol antes da gente empatar”, avaliou Ceni.
Na etapa final, entretanto, o Bahia conseguiu diminuir os espaços e controlar melhor as ações ofensivas do adversário. O treinador considerou que o confronto teve um bom nível técnico e oportunidades para os dois lados.
“Foi um jogo bom de assistir, bem jogado e com chances dos dois lados. Poderíamos encaminhar o triunfo no primeiro tempo, mas perdemos algumas chances, assim como eles”, afirmou.
Ceni também fez questão de elogiar os jogadores que tiveram atuação decisiva na partida, destacando o desempenho de Volpi e Ronaldo.
Um dos aspectos que mais agradam ao treinador é a capacidade de reação apresentada pelo Bahia. Para Ceni, o elenco vem demonstrando maior maturidade para enfrentar situações adversas e buscar resultados mesmo quando o cenário da partida é desfavorável.
“Mais uma vez destacar o mental da equipe para buscar o resultado em mais uma virada. Temos uma melhora nesse sentido, ainda mais em jogos fora de casa”, destacou.
Apesar da evolução, o técnico entende que o Bahia ainda precisa encontrar maior estabilidade durante os 90 minutos. A intenção é evitar mudanças excessivas de comportamento de acordo com o resultado momentâneo.
“Eu acho que temos que ser mais simétricos ao longo do jogo, jogar do mesmo jeito independente do placar”, explicou.
A sequência recente reforça a avaliação de Ceni. O Bahia chegou a dez partidas sem perder e conquistou três vitórias consecutivas, contra Vitória, Internacional e Bragantino.
Para o treinador, mais importante do que analisar somente os resultados é observar a transformação no comportamento da equipe.
“Estamos competindo mais, ainda precisamos concentrar mais. O time pressiona mais, luta mais. Essa é a principal mudança de atitude.”
Ceni também reconheceu que o Bahia apresenta atualmente um perfil diferente daquele visto no primeiro semestre. A equipe, segundo ele, perdeu algumas características técnicas, mas passou a atuar de maneira mais vertical e agressiva.
“É um time menos técnico do que no primeiro semestre, mas é mais vertical, pesa muito a área.”
A bola parada também se tornou uma arma importante. O treinador ressaltou que os gols marcados em cobranças de escanteio são resultado do trabalho realizado diariamente nos treinamentos.
A evolução ajuda a explicar a posição do Bahia na tabela. O clube ocupa a quarta colocação e conseguiu se manter entre os primeiros graças à regularidade construída nas últimas rodadas.
“Se você não soma durante dez rodadas consecutivas, não dá para chegar em uma posição como essa”, analisou.
Outro ponto destacado por Ceni foi o crescimento físico da equipe. Com maior capacidade para pressionar, o Bahia consegue recuperar a bola mais rapidamente e criar novas oportunidades no ataque.
“Estamos fisicamente pressionando mais, logo, temos mais a bola e criamos mais”, afirmou.
O treinador, porém, alertou que a equipe precisa evitar partidas excessivamente abertas, principalmente diante de adversários que possuem jogadores rápidos.
“O que não pode é ficar no lá e cá como foi no início do jogo.”
Sobre as novas regras adotadas no futebol brasileiro, Ceni afirmou que não acredita que elas tenham provocado uma mudança significativa na quantidade de gols do Bahia. Por outro lado, avaliou positivamente o aumento do tempo de bola rolando.
“Pode estar até melhorando a média de gols do campeonato. É muito bom para os times que gostam de jogar com a bola.”
Rogério Ceni também explicou como trabalha a parte mental dos jogadores. O treinador afirmou que procura elevar o nível de cobrança durante os treinamentos justamente para preparar o elenco para a pressão encontrada nas partidas.
“Eu exijo deles ao máximo no treinamento até que se esgotem, porque vão encontrar pressão maior no dia do jogo.”
Segundo Ceni, a rotina de cobrança faz com que os atletas passem a encarar situações de pressão com mais naturalidade.
“Depois que eles me suportam, é mais fácil suportar a pressão do estádio.”
Tiago Volpi foi outro nome citado positivamente pelo treinador. Ceni relembrou o período em que trabalhou com o goleiro no São Paulo e revelou que os dois mantêm contato até hoje.
“Eu gosto muito do Volpi, ele é um menino nota 10. Trabalhamos juntos no São Paulo”, disse.
Em tom descontraído, Ceni ainda brincou com a habilidade do goleiro nas cobranças de pênalti.
“Ele bate pênalti bem melhor do que eu batia no São Paulo.”
O treinador também classificou Volpi como um profissional acima da média e destacou sua contribuição para a construção das jogadas desde a defesa.
A participação dos torcedores também foi valorizada pelo treinador. Ceni destacou o apoio recebido mesmo durante os momentos em que o Bahia esteve atrás no placar.
“É sempre bom ver eles enchendo o setor, cantando até quando a gente perdia.”
O comandante também comemorou o momento positivo vivido pelo clube em outras categorias, citando a presença do Bahia na semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino.
“É uma semana muito positiva, temos que destacar o Bahia chegando na semifinal do Brasileiro Feminino.”
Para Ceni, o crescimento do futebol profissional e os resultados conquistados pelo clube ajudam a construir um ambiente positivo.
Alejo Véliz também foi elogiado pelo treinador. Ceni destacou a força física do atacante e sua capacidade de proteger a bola em jogadas pelo alto.
“É um cara que é fisicamente diferenciado, segura muita bola longa. É um ser humano diferenciado, o elenco gosta muito dele.”
O técnico também falou sobre a integração entre os jogadores estrangeiros do grupo e citou Nico, Michel e Erick como exemplos da contribuição do elenco para o bom momento.
Ceni ressaltou que momentos negativos inevitavelmente aparecem durante uma temporada, mas defendeu que a equipe aproveite ao máximo a fase favorável.
“A derrota chega em algum momento. Mas temos que aproveitar as fases boas, porque são nelas que somamos pontos no campeonato.”
A situação de Acevedo também foi abordada na coletiva. O treinador tranquilizou a torcida e indicou que o jogador não sofreu um problema que deva comprometer sua participação no próximo compromisso.
“Acho que não tem nada grave para o próximo jogo.”
Ceni ainda destacou a postura do meio-campista no cotidiano e sua evolução dentro do elenco. A disputa por espaço no setor é intensa, com diferentes características entre os jogadores.
“Nico é um exemplo. Você não precisa falar nada. Trabalha, não reclama e sempre tenta se desenvolver. É nítido que ele evoluiu.”
O treinador reconheceu que precisa fazer escolhas difíceis no meio-campo, inclusive deixando jogadores importantes no banco.
“Dá até dor no coração deixar o Caio no banco, me incomoda, mas o Nico é um cara que ajuda muito.”
Com um intervalo maior até a próxima partida, Ceni terá mais tempo para preparar o Bahia para o compromisso diante do Remo.
O confronto está marcado para 14 de setembro, segunda-feira, às 20h, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, pelo Campeonato Brasileiro.
O treinador lembrou que o Remo já apresentou dificuldades para o Bahia nesta temporada e ressaltou a necessidade de manter o ritmo conquistado nas últimas rodadas.
“Precisamos manter nosso embalo, mas o Remo briga em uma situação delicada no campeonato. Esperamos a ajuda do torcedor.”
Com dez jogos de invencibilidade, três vitórias consecutivas e a quarta colocação na tabela, o Bahia entra na próxima rodada buscando prolongar a boa fase e consolidar sua posição na parte de cima do Campeonato Brasileiro.