Foto: Victor Ferreira / EC Vitória O Vitória calcula que poderá deixar de arrecadar até R$ 55 milhões até 2027 com o fim de contratos ligados às empresas de apostas esportivas. A estimativa foi apresentada pelo presidente do clube, Fábio Mota, que afirmou que a suspensão dessas receitas afeta o planejamento financeiro rubro-negro.
Segundo o dirigente, o impacto vai além do patrocínio estampado na camisa. A previsão também inclui perdas com placas publicitárias e outros espaços comerciais associados às casas de apostas. Mota explicou que o clube havia considerado esses valores no orçamento para cumprir compromissos com credores e obrigações fiscais.
O Vitória tinha contrato com a 7K até dezembro de 2027. De acordo com o presidente, a receita prevista ajudaria a pagar parcelas de acordos firmados com a Justiça, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) e compromissos tributários relacionados ao Perse.
“O Vitória tinha contrato com a 7K até dezembro de 2027. Em cima desse contrato e do valor a receber, fizemos o planejamento financeiro, o acordo global com a Justiça para pagar as parcelas por mês, o acordo para pagar as prestações da CNRD, parcelou o imposto para pagar a Perse”, afirmou Mota em entrevista à Rádio Baiana FM.
O presidente criticou a falta de um período de transição para os clubes se adaptarem à mudança e disse que, segundo sua avaliação, a forma como a medida foi implementada não permite ao Vitória receber multa ou valores de rescisão.
“De uma hora para outra, esse contrato foi extinto. Da forma que foi feito pelo Governo Federal, não permite que você receba a multa e nem a rescisão do contrato. Faltou uma transição, isso foi feito na Premier League, um ano para adaptação. Virou terra arrasada para os clubes brasileiros”, declarou.
Mota estima que o clube deixe de receber cerca de R$ 10 milhões até o fim de 2026. Para 2027, a projeção é de uma perda adicional de R$ 45 milhões, totalizando os R$ 55 milhões previstos.
“Como não recebemos no mês passado, são R$ 10 milhões até o fim do ano. Ano que vem, um rombo de R$ 45 milhões”, acrescentou.
O dirigente também mencionou a possível redução de receitas com placas publicitárias. Segundo ele, empresas desse segmento já teriam comunicado aos clubes que não farão os pagamentos previstos, diante da retirada de anúncios ligados às bets.
“As placas recebem 75% de dinheiro das bets. As placas também já notificaram os clubes dizendo que não vão nos pagar”, afirmou.
A perda de arrecadação preocupa a diretoria porque o Vitória vem utilizando acordos e parcelamentos para reorganizar suas dívidas. Mota alertou que dificuldades para manter os pagamentos podem trazer consequências, como sanções esportivas, bloqueios judiciais e a perda de benefícios fiscais.
“Sem dinheiro para pagar a CNRD, vai tomar transfer ban. Não tem dinheiro para pagar a Justiça do Trabalho, vai ter as contas bloqueadas. Não tem dinheiro para pagar o Perse, vai perder o Perse”, disse.
O presidente também ressaltou que o clube conseguiu reduzir parte do passivo por meio de negociações e do programa de regularização fiscal. Na avaliação dele, a interrupção dos pagamentos pode comprometer os acordos e elevar novamente a dívida.