Fábio Mota aponta perdas de R$ 3 milhões mensais, e Portuguesa contesta versão do Vitória sobre dívida
21/10/2026 | 14:31:41 Paulo Melo
Foto: Victor Ferreira / EC Vitória

O Vitória enfrenta dificuldades financeiras diante da crise no mercado de apostas esportivas, segundo o presidente Fábio Mota. O dirigente afirmou que o cenário provocou um impacto de R$ 3 milhões por mês nas receitas do clube e obrigou a diretoria a rever o planejamento financeiro para a temporada de 2026. Paralelamente, a dívida envolvendo a contratação do atacante Renê gerou divergências públicas entre o Rubro-Negro e a Portuguesa.

O Vitória tem a Bet 7K como patrocinadora máster. De acordo com Fábio Mota, o orçamento inicial previa uma receita de R$ 45 milhões, mas as dificuldades no setor de apostas levaram o clube a reorganizar as contas.

“A crise das bets pegou o Vitória em cheio. O clube perde R$ 3 milhões por mês, o que é muito difícil. Vamos esperar o fim do Campeonato Brasileiro para ver o que vai acontecer. A gente tinha um planejamento de R$ 45 milhões e precisou se reorganizar sem esse dinheiro”, declarou o presidente.

Impasse financeiro com a Portuguesa

Fábio Mota também comentou os valores pendentes entre Vitória e Portuguesa nas negociações envolvendo o atacante Renê e o meia Daniel Júnior. Segundo o dirigente rubro-negro, o Vitória deve aproximadamente R$ 2 milhões ao clube paulista pela contratação de Renê, enquanto a Portuguesa teria uma pendência de cerca de R$ 1 milhão referente à negociação de Daniel Júnior.

O presidente afirmou que as duas equipes tentam encontrar uma solução para as pendências financeiras e contestou a possibilidade de Renê ser impedido de atuar em razão da dívida.

“O Vitória tem um crédito junto à Portuguesa. Eles devem cerca de R$ 1 milhão ao Vitória pela negociação de Daniel Júnior, enquanto o Vitória deve R$ 2 milhões. Estamos tentando chegar a um acordo nessa linha. Ninguém está pagando o Vitória, mas não tem como o Vitória deixar de pagar”, afirmou.

A Portuguesa, por sua vez, apresentou uma versão diferente. Em declaração ao ge, o clube paulista contestou as informações de Fábio Mota e afirmou que os pagamentos referentes à negociação de Daniel Júnior estão em dia.

De acordo com a Lusa, R$ 625 mil já foram descontados de uma das parcelas da negociação por Renê. O clube informou ainda que as prestações restantes têm vencimentos previstos entre novembro de 2026 e abril de 2027.

A Portuguesa também declarou que tem R$ 2,279 milhões a receber do Vitória pela transferência de Renê e negou ter recebido uma nova proposta formal da diretoria rubro-negra para resolver a pendência.

Outro ponto de divergência diz respeito ao início dos atrasos. Segundo o clube paulista, a inadimplência do Vitória começou em 1º de setembro, antes da proibição das empresas de apostas esportivas mencionada por Fábio Mota como um dos fatores relacionados às dificuldades financeiras do Rubro-Negro.

Fábio Mota critica falta de devolução de bolas na Neo Química Arena

Além dos problemas financeiros, o presidente rubro-negro reclamou da falta de devolução das bolas utilizadas pelo Vitória durante o aquecimento na Neo Química Arena, antes do empate por 1 a 1 com o Corinthians, na segunda-feira (19 de outubro), pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Segundo Fábio Mota, a situação se repete quando a equipe atua no estádio paulista. O dirigente afirmou que bolas lançadas em direção às arquibancadas durante a preparação para os jogos não são devolvidas.

“É o único estádio do Brasil em que a gente já sabe que vai perder cinco ou seis bolas no aquecimento. Ninguém devolve as bolas aqui. Acho isso um absurdo. Não estou falando pela quantidade de bolas que a gente perde, mas, toda vez que vem jogar aqui, as bolas que vão para a torcida não voltam. Acho isso um absurdo”, declarou.

O dirigente também anunciou que o Vitória pretende apresentar uma representação contra a arbitragem da partida diante do Corinthians. O confronto terminou empatado em 1 a 1, com um ponto para cada equipe na disputa do Campeonato Brasileiro.

As declarações de Fábio Mota e o posicionamento da Portuguesa evidenciam o impasse entre os clubes em torno dos valores das negociações de Renê e Daniel Júnior. Enquanto o Vitória busca alternativas para reorganizar as finanças e solucionar as pendências, a equipe paulista sustenta que ainda tem uma quantia milionária a receber e nega ter sido formalmente procurada com uma nova proposta de acordo.

 

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